Nova Casa
Written on 3:53 PM by Luigi
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Correio Masculino Faz 4 anos e ganha casa nova.
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Correio Masculino Faz 4 anos e ganha casa nova.
O primeiro amor de nossas vidas é sempre alguém inesperado, muitas vezes impossível. No ultimo final de semana enquanto assistia ao show da banda BZ num centro cultural próximo a minha casa percebi a presença de um rosto familiar no palco. O vocalista foi o autor do meu primeiro beijo. Rodrigo, o professor de biologia que há quinze anos me atacou com perguntas em seu Mavericks ao me dar uma carona.
Ele não parecia ter mudado muito, os cabelos apresentavam uma certa palidez e um emaranhado de linhas faziam companhia aos seus olhos escuros. Ele me reconheceu e foi inevitável não segurar o riso. Eu tomei a iniciativa de dar o meu telefone após a sua apresentação. Na noite seguinte estávamos frente a frente num barzinho amistoso que tinha um som romântico para esquentar aquele encontro.
Rodrigo parecia fascinado com a volta ao passado, eu estava nas nuvens. Na realidade nunca entendi o motivo de ter fugido dele quando era jovem, talvez tenha sido a descoberta da minha identidade ou simplesmente medo de começar a vida sexual com alguém que tinha o dobro da minha idade. Mas afinal, ainda existe preconceito em relacionamentos com pessoas mais maduras ou isso ficou no passado fazendo companhia a nostalgia?
Já tive algumas tentativas com homens mais velhos, que não passaram de quarenta e dois anos, o que se pode caracterizar jovens com todas as formas de prolongar a juventude que se tem hoje. Um deles por sinal, abstendo-se de álcool e cigarro parecia ter a minha idade com todo tempo que passava na academia.
Sabe aquela sensação de conquista? Quando você passa anos imaginando como seria transar com alguém e finalmente realiza? Foi assim que me senti com o Rodrigo. Uma das noites mais quentes do ano e uma hora de puro prazer. Parece que a fama dele tinha um fundo de verdade, ele sabia o que estava fazendo e eu me martirizando por ter deixado aquele professor passar e ter iniciado a vida sexual com alguém tão inexperiente como eu.
Muitas pessoas já tiveram a fantasia de namorar o professor, seja na infância, adolescência ou até na universidade. O problema deste conto de fadas urbano é que o final é sempre muito parecido. O professor tem uma infinidade de alunos e a cada semestre novas caras vão surgindo e lhe encantando. Parece uma vida reciclável, onde se pode aproveitar todo dia até o dia da maquina se esgotar. Com Rodrigo não é diferente.
E foi então que lembrei porque não havia cedido pra ele naquela época. Eu queria fazer a diferença, me fazer de difícil pra que ele só tivesse olhos pra mim. O que não aconteceu. Talvez um dia ele encontre alguém que o pare de procurar, ou simplesmente viva realizando as fantasias de seus alunos. Afinal, a vida muda, todos nós mudamos. Só é preciso lembrar-se de quem era para pensar em quem quer ser.
Eu estava saindo da escola com pouco mais de catorze anos quando recebi a carona do meu professor de biologia. Rodrigo era o professor mais cobiçado naquele ano, tanto pelas meninas, como pelos meninos que gostavam de meninos. Durante o trajeto até a minha casa respondi algumas perguntas mecanicamente, então percebi que ele estava ficando mais perto até acontecer o primeiro beijo.
Quinze anos depois daquele momento de extremo desconforto volto a falar do assunto numa sessão de constelação familiar de uma amiga. Pra quem não sabe o que isso significa é uma espécie de terapia em grupo, geralmente com membros da mesma família, o que não era o meu caso ali. Mas lembrar do passado, é sempre algo benéfico ou alguns traumas sempre ficam mais latentes? Pra você, o primeiro beijo foi algo marcante ou frustrante?
Confesso que quando lembro o passado sempre vem uma palavra em minha mente. Nostalgia. É impressionante como existem pessoas que adoram viver disso. Compram brinquedos que tiveram na época, gastam fortunas com LP´s de artistas já foram enterrados há décadas, além de participar de diversas comunidades que as fazem viverem presas ao reviver o passado. Eu simplesmente não entendo.
Eu participo da teoria que não se pode perder tempo com o passado e deve-se viver intensamente o presente para não perder o futuro. Vejo diversas coisas novas aparecendo e sendo desprezadas por que são comparadas a algum nome do passado. Se assistir aos trapalhões vai perceber que só tinha graça porque você era criança, se ver hoje a turma do Didi entenderá que não mudou nada, só as personagens. É assim na televisão, e assim na vida real. Quantos namoros você terminou porque não tinha as mesmas qualidades que você viu no seu ex? Ou pior, naqueles que você fantasiou ser o príncipe encantado e não passou de um verão, que se tivesse vivido um pouco mais descobriria que tem tantos defeitos quanto os homens de hoje em dia.
Parece tão tolo tornar uma grande coisa algo que já não é mais. Eu entendo de algumas coisas do passado. De memórias que não conseguem ir embora, por exemplo. Algumas delas são maravilhosas, aquelas que me fazem lembrar de quando conheci meus melhores amigos. Outras nem tanto e já consegui superar. Agora entendo porque algumas pessoas vivem numa eterna nostalgia, com ela se tem o passado e enquanto tiver isso não ficará sozinho.
Dizem que não se pode escolher a família. Talvez assim seja melhor, afinal se pudéssemos escolher a política de devolução teria de ser muito rígida. Na ultima quarta-feira quando organizava um jantar romântico para um futuro pretendente recebi a visita de uma prima que mora em outro estado. Eram três malas de roupas e algumas galinhas mortas num saco que pingou por todo apartamento.
Flávia resolveu passar as férias em minha casa e como não acessava a conta de e-mail destinada para a família há algum tempo deixei de ver seu "auto-convite". Não tive como escapar deste processo de recepção, mas também não poderia cancelar o jantar. O que fazer para sair de uma saia justa familiar?
Conheci Bernardo na saída do trabalho de uma maneira inusitada, ele estava entrando no hospital para fazer uma visita enquanto eu saía. No segundo dia de coincidência trocamos o numero do telefone no elevador e marcamos o jantar na minha casa. Só não esperava pela minha prima para o jantar.
Quando a campainha tocou Flávia ficou alerta, correu pela casa de toalha e perguntou se já seriam outros parentes que ela havia convidado. Mais uma surpresa que me pegou de jeito. Não receberia só Bernardo, mas uma série de primos, tios e quem mais pudesse vir para receber minha prima na cidade.
O microondas reclamou a comida de supermercado que eu fingiria ter feito, assim como eles fazem nas propagandas. Pensei mais uma vez em ligar para o meu convidado inventando uma gripe asiática ou de algum mamífero que passava para humanos, afinal, estávamos em um hospital quando nos conhecemos, mas não cairia bem a desculpa.
Finalmente Bernardo apareceu e na minha sala não havia lugar para mais ninguém, muito menos para mim. Fiquei extremamente envergonhado quando fui servir água na cozinha para o meu convidado, afinal o único lugar que não tinha familiares era a minha cozinha, e peguei um copo com cheiro de ovos e os outros sujos na pia. Arregacei as mangas para lavar um copo e recebi o convite de Bernardo para sairmos de lá. Foi um dos convites mais românticos que recebi nos últimos meses.
Depois do encontro e de volta para casa percebi que todos já haviam partido sem se despedir, o que eu achei fabuloso, quatro pratos quebrados, móveis afastados e TV ligada encontrei minha prima jogada no sofá coberta pelo meu lençol esperando a minha chegada, assim como fazem as boas mães. Certo, nenhuma família é perfeita. Achei que a minha fosse um documentário, mas acabou sendo uma novela de Manoel Carlos na época em que ele escrevia para o horário das seis. O que posso dizer é que além de não podermos escolher a família estamos presos a ela. Para o bem e para o mal. Mas tudo bem. Talvez os parentes maus existam para nos ajudar a apreciar os bons. E estes são os que estão olhando por você todo esse tempo.
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Este é o segundo mês que consigo dormir apenas na segunda-feira, os outros dias estão dedicados as festas noturnas, encontros de internet e muito sexo casual. Afinal de contas, a melhor maneira de sair de uma relação é “galinhando” ou não passa de uma fuga?
Existem pessoas que ainda se sentem presas ao passado, checam Orkut, conversam com amigos em comum para saber o que o outro está fazendo e se já encontrou um novo amor. Mas existem aqueles que simplesmente não querem mais aquela relação do passado e procuram vingar o tempo perdido usufruindo da vadiagem noturna.
O grande problema desta vida visceral de encontros por um prazer momentâneo são as pessoas que você deixa de conhecer intelectualmente e as feridas que pode causar nelas. Sabe aquele cara que ninguém quer se relacionar, o que é conhecido por magoar os outros? Você se torna um deles.
O tempo passa e por mais desgastante que tenha se tornado seus dias, esta vida de felicidade “fácil” começa a deixar marcas no seu corpo com olheiras, machucados, cansaço e vazio. Vazio no coração por estar se limitando a viver uma vida que não é sua, por ter criado um personagem seguro de que pode sair conquistando, mas que no fundo está fugindo da verdade que é o seu próprio sofrimento.
É difícil encarar o sofrimento de frente, mostrá-lo é ainda pior, seus amigos esperam mais de você, sua família nem precisa notar que você é um ser humano capaz de sentir tal coisa, seu ex jamais pode sonhar o que se passa pela sua mente e quantas lagrimas você derramou. Mas o ser humano precisa de um tempo, necessita de repouso noturno e sentimental. Colocar a mente em ordem ocupando-a com leitura, trabalho ou alguma atividade física pode ajudar se for feito na medida certa. O que não pode é esquecer que existe uma vida pessoal e por mais magoado que você esteja é preciso confrontá-la.
Quantos números novos entraram na minha agenda, quantos eu não fiz questão de anotar, quantos nomes eu já esqueci, lugares que me permiti ir e restaurantes que deixei de pagar. Tanta vida em tão pouco tempo, quando dizem que a vida precisa ser aproveitada imaginei que fosse de outra maneira. Mas é sim, de outra maneira que ela precisa ser vivida. De uma maneira sensível, mesmo que solteiro que tenha um bom motivo, que seja com vontade de estar lá e não por uma excitação de momento sem perceber que está acompanhado. O sentido de aproveitar a vida é simplesmente de apreciá-la.
Cinco quilos após o último relacionamento, percebi que estava na hora de voltar a sair e procurar por novas experiências. Convencido pelo melhor amigo, agora solteiro, resolvi aparecer na cena noturna e fui muito bem recebido pelos antigos e eternos frequentadores: a bebida e o cigarro. Vinte minutos de músicas dançantes e de cantoras que não conhecia, mas que pareciam disfarçar o ostracismo das divas da minha época. Encontrei alguém que me interessava. Não era o tipo que me agradava, mas naquele momento não existiam tipos, existia um período de total necessidade de me agarrar. Entretanto, existia uma linha vermelha que separava a minha timidez do bar onde se encontrava a minha vítima. Uma total falta de confiança, de saber como agir, como se eu tivesse esquecido tudo que já havia feito em boates, um verdadeiro medo de levar um fora. Mas como agir num momento de profunda desconfiança de si? Tentei encontrar meu amigo, mas ele não havia perdido o jeito e já partia pra segunda rodada de amassos, enquanto eu esperava a coragem de ir além daquela linha imaginária. Não tinha como entrar na internet e procurar as gírias ou as técnicas mais atuais de se chegar a alguém que estava mais chapado do que eu. Também não podia esperar muito tempo, levando em consideração que eu escolhi a presa mais atraente daquela noite. Três long necksdepois e lembrei como se faz. Paquerar é como andar de bicicleta, com toda tecnologia que se investe em motocicletas e automóveis. Não tem quem consiga esquecer como se pedala. E o melhor é que depois que pedalamos, a fim de manter o equilíbrio, vem a sensação da liberdade ao sentir o vento bater no rosto e os olhos se encherem de felicidade.

A noite quando entrei em casa esperei a secretária eletrônica me consolar com alguns recados, mas não havia nada mais que o insistente banco me oferecendo seguros e uma amiga que só consegue falar uma palavra quando o tempo do recado termina. Na cozinha a louça continua suja, a embalagem do macarrão instantâneo que foi usado na noite anterior parece deprimido no meio de tanta bagunça, e só nesta hora que percebo o que é estar solteiro.
Mas porque estar solteiro é sempre visto com maus olhos? Veja pelo lado positivo, pode-se usar toda a água quente do chuveiro, não precisa dividir a pipoca nos filmes que você adora assistir novamente, e usar o controle para passar por todos os canais que achar necessário para fugir de propagandas.
Entretanto o estado da solteirice trás algumas manias que se completam com a total falta do que fazer, se meter na vida dos outros é uma delas. Geralmente o solteiro volta a freqüentar os círculos de amizade com mais freqüência, freqüência esta que de tal forma começa a se tornar maçante e ele resolve variar com amigos do trabalho, da academia, do condomínio e ainda liga para os da faculdade pra saber se eles ainda se reúnem só pra não se tornar inconveniente com os outros.
Outra mania fundamental é tentar destruir o namoro do melhor amigo, estar solteiro é um momento e plenitude, ele precisa dividir isto com alguém que lhe entenda perfeitamente e acaba fazendo tudo para conseguir terminar o namoro e ter o amigo de volta num momento de prazer da solidão a dois.
No final da noite acabei vendo um programa no Discovery Chanel sobre a teoria da matéria que dizia que ela existe de formas diferentes. Acho que o mesmo se aplica ao amor. O Amor é como o liquido podendo correr externamente e trazer vida para um deserto. O Amor pode ser um gás leve como o ar e assumir a forma do seu recipiente. E como a matéria, o amor não pode ser criado ou destruído está sempre lá, mesmo quando não se pode ver, mesmo quando está bem na sua frente.
É então que chega uma hora em que nos preocupamos tanto com a vida dos outros, tentando ajudá-los, fazê-los felizes ou solteiros, que procuramos encontrar neles o que está faltando na nossa vida, e isso se reflete no amor. Você pode ser feliz estando sozinho, mas não pode esperar que a felicidade dos outros possa completar a sua.
* Foto de Mario Lopez eleito em 2008 pela revista people o "solteiro mais quente" (hottest bachelors). A Lista de 2009 ainda não saiu, quem sabe pode ser você?
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